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(Minhas férias)
Minhas férias
- © Lenise M. Resende -
- © Lenise M. Resende -
Alguns blogs, no início do ano, colocam a imagem de um bilhete, para ilustrar uma mensagem sobre a volta às aulas. Nesse bilhete, uma criança (?) questiona o costume de sua professora de pedir aos alunos que façam uma redação sobre o tema "Minhas férias". Felizmente não sou criança e nem estou na escola. Depois de um mês de férias, está difícil colocar a cabeça para funcionar, isto é, colocar as ideias em ordem. E, pior ainda, escrever sobre elas. O descanso me deu tempo para refletir sobre muitas coisas mas não me deu certezas.
Um dos acontecimentos que presenciei pouco antes do Natal, foi o atropelamento de um jovem perto do meu edifício. Da janela de casa, só via suas pernas pois os galhos de uma árvore próxima cobriam o resto do corpo. Até que uma pessoa chegasse em casa com alguma informação, assisti a chegada de três viaturas cheias de guardas municipais, além de uma ambulância. O motivo, fiquei sabendo depois. O rapaz, de quinze anos, estava vendendo cartões de Natal e papéis de presente na calçada. Quando a Guarda Municipal começou uma ação de repressão contra camelôs nas proximidades, ele tentou fugir, foi atropelado por um ônibus e morreu no caminho para o hospital.
Nas calçadas, muitas pessoas revoltadas discutiram com os guardas, responsabilizando-os pelo atropelamento. Da janela, assisti a tudo com a visão nublada pelas lágrimas, um nó na garganta e a cabeça confusa. Afinal, os guardas (bem ou mal) estavam fazendo seu trabalho. Perto do Natal, as calçadas ficam intransitáveis, repletas de camelôs. E, o rapaz, estava tentando ganhar algum dinheiro, para sobreviver ou viver um Natal mais farto. Naquele momento, não pude apontar culpados. Só consegui pensar na frase "prevenir é melhor do que remediar" ou, sua versão mais apropriada a esse caso, "prevenir é melhor do que reprimir".
Outro acontecimento que presenciei, pela televisão, em dezembro, foi a inauguração da árvore de Natal da Lagoa Rodrigo de Freitas. Esse ano (2008), ela ganhou três metros, passando a medir 85 metros, o que equivale a um prédio de cerca de trinta andares. Agora, ela vai substituir o recorde de maior árvore flutuante do mundo no Guiness Book of Records. Recorde que ela própria havia alcançado em 1999, com altura de 76 metros.
Há alguns anos, quando era menor e mais simples, essa árvore até que era bonitinha. Agora, além de feiosa, é apenas um símbolo de ostentação e vaidade. Provavelmente, no próximo ano, ela ficará ainda mais alta, mais dinheiro será gasto e o nome do patrocinador será ainda mais divulgado. Se está sobrando dinheiro, por que não ajudar o país a subir em outros índices que signifiquem melhora na educação e no saneamento básico, por exemplo?
O melhor de ficar de férias em dezembro foi poder me distanciar dos textos natalinos. A maioria deles são muito bonitos mas, atualmente, me pareciam distantes da vida real. O Natal anda muito luxuoso, enfeitado, cheio de luzinhas e brilhos. Cheguei a me perguntar se a autêntica festa de Natal estava acabando. Uma resposta de esperança chegou no telejornal do dia 25 de dezembro.
Foi emocionante ver famílias inteiras dedicando-se a alegrar a festa de bairros carentes, creches e orfanatos com presentes, alimentos e presença. E, o mais emocionante, foi ver que foram centenas de famílias por todo o Brasil além de muitos restaurantes populares que forneceram almoço de Natal gratuito.
Ter tempo para descansar e refletir foi bom. Está sendo bom retornar ao trabalho. Felizmente não é preciso pressa. Aos poucos vou colocando as ideias em ordem e me acostumando a ficar horas sentada na frente do computador.
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Nota - Crônica filosófica (reflexão a partir de um fato ou evento)
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(Boas Festas)
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.Luz.
.União.
.Alegrias.
.Saúde.Paz.
.Fé.Sucesso.
.Amor.Esperança.
.Respeito.Harmonia.
.Realizações.Humildade.
.Solidariedade.Felicidade.
.Confraternização.Pureza.
.Amizade.Sabedoria.Perdão.
.Bondade.Paciência.Gratidão.
.Igualdade.Liberdade.BoaSorte.
.Sinceridade.Estima.Fraternidade.
.Equilíbrio.Dignidade.Benevolência.
Tenacidade
.Prosperidade.Reconhecimento.
Boas
Festas e Feliz Ano Novo!
São os votos de Lenise M. Resende
http://lendoerelendolenise.blogspot.com.br/
São os votos de Lenise M. Resende
http://lendoerelendolenise.blogspot.com.br/
(Dádivas angelicais)
Dádivas angelicais
- © Lenise M. Resende -
Gosto de terminar o ano, fazendo uma grande limpeza na casa e na alma. Abro as janelas, deixo entrar o ar e a luz. Abro os armários e separo as roupas, pessoais e de cama, que só voltarão a ser usadas no inverno e as que serão doadas.
Faço o mesmo com papéis, recordações que já nem lembro bem porque guardei, e trabalhos escolares guardados durante o ano. É uma boa época, também, para estimular as crianças a doar alguns brinquedos antigos ou jogar fora os estragados.
Sempre temos em casa, objetos que compramos e nos arrependemos, presentes que nunca usamos, e coisas que nos trazem recordações negativas.
Segundo os especialistas em anjos, essas coisas, condensam nossa energia e nos aprisionam. Ao jogar fora, estamos liberando espaço para alguma coisa nova.
Segundo os especialistas em Feng Shui, para que haja harmonia nos ambientes, e a energia vital Chi possa circular livremente, só devemos guardar o que é útil e está em bom estado.
Sempre temos em casa, objetos que guardamos para ocasiões especiais. As festas de fim de ano, são um bom motivo para renovar panos de prato, toalhas de mesa e de banho, lençóis, etc.
Nessa renovação vou mais longe. Lavo as cortinas e tapetes, troco móveis e quadros de lugar, e substituo alguns enfeites por outros, com motivos natalinos. Outros objetos que, foram colocados em lugares específicos, para reequilibrar a energia vital Chi dos ambientes, só troco por similares.
Certamente os anjos, que gostam de limpeza, aromas e beleza, nos visitam com frequência no mês de dezembro. Sentimos sua presença e a família recebe suas dádivas com alegria. Como é bom sentar num sofá, e, simplesmente ficar admirando o ambiente, ouvindo os risos e sentindo a paz. Assim como a minha casa, fico com a alma limpa, esperando o novo ano. Que ele seja bem-vindo!
* * *
Nota 1 - Crônica filosófica (reflexão a partir de um fato ou
evento)
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Nota 2 - Para enriquecer estas linhas, coloco na sequência um
texto de Leonardo Boff: "Feng Shui é uma filosofia ecológica chinesa que
procura construir, o mais adequadamente possível, um ambiente de moradia ou de
trabalho humano considerando o equilíbrio de todas as energias que atuam naquele
espaço."
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TEXTOS RELACIONADOS(Ano sim, ano não)
Ano sim, ano não
- © Lenise M. Resende –
Comigo o Natal é assim:
tem o ano do não,
e o ano do sim.
Um ano apareço na festa,
sorrio, me divirto à beça
No outro, camisola é minha beca,
e durmo na hora da festa.
Não gosto desse Natal de excessos de comidas e presentes. Será que o aniversariante gosta? Não consigo imaginar Jesus, satisfeito em ver pessoas gastando o que não podem, e comendo o que não devem. Além do mais, com roupa de festa, num dia de calor escaldante. Aqui no Rio de Janeiro, no mês de dezembro, o calor é insuportável.
Dezembro é o mês das formaturas, matrículas escolares, e início das férias. Um mês em que o dinheiro parece ser pouco, para tudo o que necessitamos fazer. Se é um mês de muitos gastos, por que inventar mais gastos? Se o aniversário é de Jesus, por que não pensar no que ele gostaria? No dia 25 de dezembro, a minha opção é por simplicidade e praticidade. Se meu filho precisa de roupas novas, é o que ele vai ganhar. O som que ele tanto quer, só irá ganhar no aniversário dele (se eu puder dar).
Não me martirizo por aquilo que não pude dar, e por aquilo que não pude fazer. Alegro-me com o que pude comprar, e com aquilo que pude fazer. Não consigo ajudar uma escola de excepcionais, mas procuro fazer o melhor pelo meu filho que também é especial. Não consigo ajudar um asilo de idosos, mas procuro fazer o melhor por aqueles que são da família.
Nem sempre participo de campanhas de Natal. Eu até poderia reunir os brinquedos usados, que limpei e melhorei o visual, e dar para alguma campanha, mas não dou. Se minha empregada tem quinze netos, a faxineira outros tantos, e o porteiro do prédio muitos sobrinhos, por que ir tão longe? É fácil pensar que as crianças do país tal estão sofrendo, e não perceber que aqui pertinho acontece o mesmo. É fácil pensar que, só no Natal, as pessoas necessitem de atenção.
Não tenho o costume de doar somente objetos usados. Vou comprando e reunindo-os aos poucos, e distribuindo-os da mesma forma. Gosto de doar material escolar no início do ano. As crianças adoram começar o ano escolar com material novo. Quem não lembra do cheirinho gostoso que tem um lápis ou uma borracha novinhos? Gosto muito de distribuir lembranças de Páscoa, sempre com chocolates, é claro! Gosto de espontaneidade, de dar porque tenho vontade, sem data marcada.
O bacalhau é o prato principal do Natal na minha família, mas, numa ocasião em que não compareci na ceia tradicional, fiz um jantar comum aqui em casa. Alguns dias antes, perguntei a todos o que gostariam de comer no Natal (valia bife, pizza, batata frita, etc.), e fiz a ceia dos desejos pessoais - não aquela ceia de origem europeia.
A caçula queria tender, peru, pernil, e tudo mais que ela ouve falar que faz parte da ceia de Natal, por isso me disse: - Você falou que não ia montar a árvore de Natal e, depois, mudou de ideia. Quem sabe você muda de ideia de novo e acaba fazendo a ceia?
Realmente, eu montei a árvore, mas não estava com vontade de enfeitar. Coloquei a árvore no chão, para que ela alcançasse os galhos, e lhe entreguei os enfeites. Ela tentou colocar os laços, mas não gostou do resultado. Pediu ajuda para minha mãe, que naquele dia veio aqui almoçar. As duas começaram colocando laços e maçãs vermelhas, depois, abriram a caixa dos enfeites dourados, e pensaram em mudar tudo. Acabaram fazendo uma mistura desordenada, uma mistureba. Colocaram luzes e ficaram felicíssimas. Ficou uma beleza artesanal e alegre.
Bom de ter jovens em casa é isso: se você não está com vontade de participar da festa, é só dar o material necessário, e permissão para que eles façam sozinhos, que eles se viram. O passado foi bom, mas o presente pode ser também. Além disso, esse presente vai ser o passado desses jovens.
Gosto de quebrar tradições como essa da ceia. E, sem as amarras dos modelos do passado, me solto, crio, e me divirto do meu jeito.
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Nota - Crônica filosófica (reflexão a partir de um fato ou evento)
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TEXTO RELACIONADO
(Datas comemorativas)
- © Lenise M. Resende -
No Carnaval de 1934, Lamartine Babo fez a marchinha "História do Brasil", que começava assim: "Quem foi que inventou o Brasil? Foi seu Cabral! Foi seu Cabral! No dia 21 de abril, dois meses depois do Carnaval!"
Na verdade, Cabral aparece na História do Brasil, não como um inventor, aquele que descobre através do pensamento, mas como um descobridor, aquele que atesta pela primeira vez a existência de. No entanto, existem tantas controvérsias sobre o Descobrimento do Brasil, que chego a me indagar se Cabral existiu realmente ou foi inventado. E até me atrevo a pensar que a História do Brasil foi inventada, e que aprendemos na escola somente uma versão dos fatos reais.
Essa sensação de saber somente versões, deixa-me insegura ao falar sobre a História do Brasil. Sempre há um fato novo que modifica o que aprendemos na escola. E parece haver fatos que nunca ficarão bem esclarecidos.
Existem quatro datas comemorativas muito próximas que parecem ser as campeãs das versões. São elas: Em abril: 19, Dia do Índio; 21, Dia de Tiradentes: 22, Descobrimento do Brasil. Em maio: 13, Abolição da Escravatura.
Considero muito difícil escrever sobre os índios. Por mais que leia sobre eles, sempre penso que sei muito pouco. Encontrar na internet desenhos de índio brasileiro é mais difícil ainda. Até mesmo brasileiros desenham índios com indumentária americana. Antes de desenhar um índio brasileiro, pesquisei fotos recentes, e decidi que ele usaria short e não tanga.
Outro assunto difícil é a Abolição da Escravatura. Na escola, além de ter aprendido sobre os castigos infligidos aos escravos, gostaria de ter conhecido a mitologia africana. Aliás, gostaria de ter aprendido mais sobre a África. É claro que a verdade precisa ser dita, mas é preciso também divulgar a riquíssima cultura africana.
Essa postura em relação a divulgação, faz com que eu não repasse críticas ao governo brasileiro, por exemplo. Creio que o número de críticos já é bem elevado, prefiro usar meu tempo divulgando a cultura brasileira. Se mais pessoas dedicassem seu tempo divulgando nossa história e nossa cultura, talvez tivéssemos a sorte de ter um presidente mais informado. Aliás, se tivéssemos políticos mais cultos, já teríamos uma lei obrigando os candidatos a presidente a estudar História do Brasil por algum tempo, antes de se candidatarem.
Para Milton Santos, professor e consultor da ONU, a formação de estudantes visando o mercado de trabalho, que prioriza o saber prático, ameaça, a médio prazo, a democracia, a cidadania e a individualidade. Ele disse: "A escola deixará de ser o lugar de formação de verdadeiros cidadãos e tornar-se-á um celeiro de deficientes cívicos."
Em abril de 2005, ao visitar a África, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu perdão pelos africanos que foram trazidos como escravos para o Brasil, repetindo um gesto do papa João Paulo II. Certamente, um presidente mais culto, ainda cometeria enganos. Não teria, porém, a ingenuidade de imitar as atitudes de um Papa. Por mais espontâneo que um Papa seja, sabe-se que ele tem junto de si especialistas com quem estuda, principalmente antes de viajar. Então, ao reagir às emoções de uma viagem, seus gestos e suas palavras repercutem mundialmente, de forma positiva, o que nem sempre acontece com nossos presidentes.
Se Lamartine Babo estivesse vivo, talvez agora cantasse uma versão da marchinha "História do Brasil", com algo assim: "Quem foi passear em abril? O presidente! O presidente! No décimo dia de abril, dois meses depois do Carnaval!"
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Nota - Crônica jornalística (apresenta aspectos particulares de notícias ou fatos cotidianos)
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TEXTO RELACIONADO
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(O Dia da Criança)
O Dia da Criança
- © Lenise M. Resende -
Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), a data universal para a comemoração do Dia da Criança é 20 de novembro, quando se comemora a assinatura da Declaração dos Direitos da Criança. A Declaração não é uma lei, mas um texto de referência que reconhece a todas as crianças e jovens o direito à afeição, amor e compreensão; alimentação adequada; cuidados médicos; educação e proteção contra todas as formas de exploração.
Mas o Brasil e alguns outros países adotaram outros dias para comemorar o Dia da Criança. No Brasil, a criação dessa comemoração foi sugerida por um deputado federal na década de 1920. E aprovada, por decreto do então presidente Arthur Bernardes, em novembro de 1924.
No entanto, a comemoração do Dia da Criança começou realmente em 1960. Nesse ano, a fábrica de brinquedos Estrela e a Johnson & Johnson fizeram uma promoção para lançar a Semana do Bebê Robusto, e aumentar suas vendas. A ideia deu certo e outros comerciantes passaram a participar. Desde aí, no Brasil, 12 de outubro é dia de criança ganhar presente.
Atualmente, o comércio parece ter-se dividido em períodos de grandes vendas: Voltas às aulas (fevereiro), Páscoa (abril), Dia das Mães (maio), Dia dos Namorados (junho), Dia dos Pais (agosto), Dia da Criança (outubro), Natal (dezembro). Como novas datas comemorativas vem sendo criadas constantemente, nem todos os consumidores conseguem dar um longo descanso à carteira.
A criação do Dia da Criança foi um golpe de mestre. Dar descanso ao consumidor poderia deixá-lo desacostumado de comprar. Assim, antes mesmo do mês de setembro terminar, os jornais começam a ficar cheios de encartes para o Dia da Criança.
O mais interessante, é que as mais modernas técnicas de venda ensinam: que estão ultrapassadas as vitrines de artigos infantis feitas para seduzir adultos; que a criança decide sua própria compra e tem seu poder de decisão respeitado; que um adulto acompanhado de crianças em uma loja é uma venda quase certa.
Recentemente, li a entrevista de uma gerente de loja comemorando o grande aumento de vendas de artigos eletrônicos para o Dia da Criança. Faz sentido, porque é visível que a época das lembranças e presentinhos já acabou há muito tempo. Atentos às propagandas sobre as possibilidades de crédito (empréstimo pessoal, cheque pré-datado, cheque especial, crediário e cartão de crédito) os jovens acabam pensando que comprar é só prazer e alegria. Sendo assim, pedem presentes cada vez mais caros.
O que dizer, então, aos nossos filhos? Essa pergunta, feita pela editora da revista Claudia à professora de filosofia Dulce Critelli obteve a seguinte resposta: "... cabe aos mais velhos mostrar que o mundo não é só festa e shopping. Os adolescentes estão sendo bombardeados pela sedução do consumo - o que inclui comprar ideias dos outros ..."
Houve um tempo em que as principais comemorações eram o próprio aniversário e o Natal. Hoje, os presentes tornaram-se mais importantes que as comemorações. E, para estimular a compra de mais presentes, foram criados novos motivos para se presentear.
Não creio que a solução seja parar de presentear mas, sim, escolher presentes de acordo com as nossas posses. E, mais uma vez, lembro as palavras da professora Dulce Critelli: "A família pode ser um agente de transformação, já que são os valores transmitidos no dia a dia que darão suporte à nova geração. A micropolítica se reflete na macro: é o cidadão quem faz a cidade."
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Nota - Crônica jornalística (apresenta aspectos particulares de notícias ou
fatos cotidianos)
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TEXTO RELACIONADO
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(Salgueiro)
Cresci na Tijuca, Rio de Janeiro, escutando com frequência o lema do Salgueiro, a maior escola de samba do bairro: "Nem melhor, nem pior, apenas uma escola diferente".
Essa frase sempre me lembrou uma outra que, recentemente, fiquei sabendo ser a filosofia do sumô (esporte praticado no Japão): "Ganhar ou perder é secundário, o importante é competir". Assim, por mais que doa ver o Salgueiro perder campeonatos, não me revolto, quando isso ocorre. Ou melhor, não me revoltava, porque atualmente... É melhor nem falar mais nisso!
Quando o Salgueiro é campeão, o coração dispara de tanta alegria. O dia das apurações dos Desfiles das Escolas de Samba do Grupo Especial, pra mim, é feriado. Não consigo fazer nada até saber o resultado. E, as crianças daqui de casa, sempre ficam por perto porque, quando o Salgueiro ganha o campeonato, encomendo pizza e refrigerante para comemorar. Eu não torço assim, nem pelo meu time favorito, o Flamengo.
Considero o Salgueiro (Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro), sinônimo de garra e criatividade. Por lá, passaram os melhores e mais criativos carnavalescos do Rio de Janeiro. Seus enredos, fantasias e adereços costumam surpreender positivamente. Os sambas, são inesquecíveis. Suas cores (vermelho e branco), são as mesmas do maior clube do bairro, o Tijuca Tênis Clube. Meu coração tijucano é vermelho e branco.
Escutar o grito: - Arrepia Salgueiro! - realmente arrepia qualquer salgueirense. Mas, gosto mesmo, é de escutar o som dos cavaquinhos puxando a introdução: "Salgueiro, minha paixão, minha raiz, Academia do Samba que me faz feliz". Depois, vem a paradinha (silêncio) e o grito: - Arrepia Salgueiro! - preparando os componentes da escola para começar a dançar e cantar. É emocionante!
Aprecio a evolução dos componentes da Academia do Samba, entretanto, nunca desejei participar dos desfiles. Aprecio igualmente o trabalho de muitos integrantes da Academia Brasileira de Letras, mesmo sem pretender vir a ser uma acadêmica. Já ficaria muito satisfeita se, algum dia, fosse lembrada como "nem melhor, nem pior, apenas uma escritora diferente".
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Essa frase sempre me lembrou uma outra que, recentemente, fiquei sabendo ser a filosofia do sumô (esporte praticado no Japão): "Ganhar ou perder é secundário, o importante é competir". Assim, por mais que doa ver o Salgueiro perder campeonatos, não me revolto, quando isso ocorre. Ou melhor, não me revoltava, porque atualmente... É melhor nem falar mais nisso!
Quando o Salgueiro é campeão, o coração dispara de tanta alegria. O dia das apurações dos Desfiles das Escolas de Samba do Grupo Especial, pra mim, é feriado. Não consigo fazer nada até saber o resultado. E, as crianças daqui de casa, sempre ficam por perto porque, quando o Salgueiro ganha o campeonato, encomendo pizza e refrigerante para comemorar. Eu não torço assim, nem pelo meu time favorito, o Flamengo.
Considero o Salgueiro (Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro), sinônimo de garra e criatividade. Por lá, passaram os melhores e mais criativos carnavalescos do Rio de Janeiro. Seus enredos, fantasias e adereços costumam surpreender positivamente. Os sambas, são inesquecíveis. Suas cores (vermelho e branco), são as mesmas do maior clube do bairro, o Tijuca Tênis Clube. Meu coração tijucano é vermelho e branco.
Escutar o grito: - Arrepia Salgueiro! - realmente arrepia qualquer salgueirense. Mas, gosto mesmo, é de escutar o som dos cavaquinhos puxando a introdução: "Salgueiro, minha paixão, minha raiz, Academia do Samba que me faz feliz". Depois, vem a paradinha (silêncio) e o grito: - Arrepia Salgueiro! - preparando os componentes da escola para começar a dançar e cantar. É emocionante!
Aprecio a evolução dos componentes da Academia do Samba, entretanto, nunca desejei participar dos desfiles. Aprecio igualmente o trabalho de muitos integrantes da Academia Brasileira de Letras, mesmo sem pretender vir a ser uma acadêmica. Já ficaria muito satisfeita se, algum dia, fosse lembrada como "nem melhor, nem pior, apenas uma escritora diferente".
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Nota - Crônica jornalística (apresenta aspectos particulares de notícias ou
fatos cotidianos)
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Marcadores:
datas,
jornalística,
rio de janeiro
(Ouvir com o coração)
Ouvindo com o coração
- © Lenise M. Resende -
Recebi, recentemente, um pedido de músicas para o Dia das Mães, enviado pela regente de um coral infantil. Na falta de novas composições sobre esse tema, ela fará um CD com midis instrumentais de antigas músicas. A lista que ela me enviou, era composta por músicas do disco Obrigado Mãe (1995), de Agnaldo Timóteo, com participação de Ângela Maria.
Ultimamente, joguei um monte de preconceitos na lata de lixo e, tenho ouvido com carinho, músicas e interpretações que não apreciava. E foi com carinho que procurei as músicas desse disco de Agnaldo Timóteo. Disco que alguém da minha família ganhou, em 1995, no formato pequeno, com duas músicas, e sumiu. Mas esquecido não foi. Sempre que era tocado, a cachorrinha que nós tínhamos chorava sem parar. O assunto virou motivo de piada familiar, e isso me faz pensar que o sumiço do disco foi proposital.
Para fazer um teste de aceitação, no domingo de Páscoa, chamei minha mãe para ouvir as músicas que encontrei. Imaginando que ela fosse se emocionar, fiz com que se sentasse, abri o arquivo com as letras, abri as midis e... comecei a cantar. Foi um desastre! Nem eu, nem Agnaldo Timóteo, nem Ângela Maria, conseguimos emocioná-la. Era visível sua vontade de levantar e correr para a cozinha, para preparar o lanche de Páscoa. Vou tentar novamente no Dia das Mães...
Lembro de minha mãe falando com carinho de alguns intérpretes, que quando ouvi em disco me decepcionaram. Por isso, quando uma pessoa da família me ofereceu sua coleção de discos antigos, não aceitei. Mas o tempo foi passando, e minhas observações e reflexões me abriram os olhos e a mente. Quem sabe, também, os ouvidos? Assim, assisti velhos filmes de Carmem Miranda na televisão. Passei a procurar as letras de muitas músicas antigas que costumam representar o Brasil internacionalmente. E a grande transformação se deu quando comecei a cantá-las. Atualmente, não consigo ouvir Aquarela do Brasil, por exemplo, sem que meu lado Carmem Miranda se manifeste.
Não sou dada a exageros e, se aprecio uma música, não importa a nacionalidade. Só que a quantidade de material visual e auditivo estrangeiro na internet é muito grande. Se os profissionais brasileiros não colocarem na internet o maior número possível de material nacional, seremos sufocados. O fato de usarmos programas em inglês, já nos deixa predispostos a achar natural a substituição de sons e imagens nacionais por similares estrangeiros. Então, no que depender de mim, o material nacional será constantemente aproveitado, reciclado e usado.
Em geral, nos testes de aceitação que faço, antes de usar as músicas, é o membro mais novo da família a pessoa que mais gosta. Parece-me que o motivo é o fato dela ter os ouvidos limpos. Limpos, porque antes de ouvir as músicas, ela não ouviu alguém lhe dizer que são velhas, antiquadas ou bregas.
Quem já foi a festas escolares sabe muito bem o que é chorar ao ouvir um coral infantil. E, nesses momentos, nem importa se as cantigas são novas ou velhas, se são de festa junina ou para homenagear a mamãe. Nesses momentos, estamos ouvindo com o coração...
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Nota -
Crônica filosófica, de internet (reflexão sobre aspectos particulares de
comunicação virtual)
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TEXTO RELACIONADO
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