(Kamikaze-o vento divino)

Kamikaze, o vento divino
- © Lenise M. Resende -

Quando a vida parece morna, mas um frio no estômago diz que o tempo vai esquentar, viro kamikaze. Igual ao tufão que, em 1281, dispersou os navios mongóis, impedindo que invadissem o Japão. E teve seu nome adotado pelos soldados japoneses que realizaram operações suicidas contra a frota americana, em 1944, durante a Segunda Guerra Mundial.

Sim, quando me zango, viro kamikaze. Se a situação está ruim, pior não pode ficar. E, se ficar, já estou me acostumando. Mas ruim mesmo é não tentar. E, nada como um tufão, para tirar tudo do lugar.

O medo de ouvir um não, que estava escondidinho, sai correndo em busca de um sim. A incerteza, que não sabia se devia ir pelo caminho da esquerda ou da direita, abre um atalho no centro. A sinceridade, que andava calada, encontra as palavras certas para dizer. Com o vento, muitos sonhos desaparecem para sempre, e outros sobrevivem mais fortes.

Nestes momentos, sinto que uma gueixa, a esperança, e um samurai, o otimismo, me observam e me apoiam. E, vencendo ou perdendo a batalha, orgulho-me por ter tentado. Assim, é com satisfação que retorno a minha condição de brisa.
  
Nota - Prosa Poética ou Crônica lírica (em que o autor relata com nostalgia e sentimentalismo)

(Phoenice)


Phoenice, poema que participou da 16ª edição de “Um Poema Em Cada Árvore”, projeto realizado pelo Instituto Psia de incentivo à leitura que acontece mensalmente em Governador Valadares (MG). O projeto consiste em pendurar poemas em árvores de praças, ruas e calçadões da cidade.

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Phoenice
- © Lenise M. Resende -

Poeta que morre
por amor não correspondido,
volta renascido, 
cada vez que é lido.

Sou poeta
e estou renascendo.
Nesse exato momento,
há alguém me lendo.

(Poemas)

 Poemas no Blog:

(Ventos de mudança)

Ventos de mudança
- © Lenise M. Resende -

Érico Veríssimo escreveu: “Quando os ventos de mudança sopram, umas pessoas levantam barreiras, outras constroem moinhos de vento”. E essa citação dele me fez pensar nas mudanças que venho realizando. Esse ano, não vou renovar os domínios dos meus sites: Lendo e Relendo, criado em novembro de 2000, e Lendo e Relendo Gabi, criado em julho de 2001. E já desativei os grupos de mensagens que fiz para cada um dos sites, no mesmo ano em que eles foram criados.

Depois de onze anos como proprietária de dois sites e dois grupos, sinto-me repleta de lembranças que, na sua grande maioria, foram muito boas. Mesmo assim, se por algum motivo voltasse no tempo e lembrasse desses onze anos, mudaria algumas coisas. E a primeira coisa que mudaria seria o nome dos sites e dos grupos.

Escolhi o nome Lendo e Relendo por causa das iniciais do meu nome - LR. Foi um erro. Já que não sou uma empresa e sim uma escritora, poderia ter divulgado mais o meu nome.

Escolhi o nome Lendo e Relendo Gabi para o site infantil, por ser uma homenagem para minha neta Gabriele, a Gabi. Foi outro erro, já que muitas pessoas continuavam me chamando de Gabi, mesmo sendo constantemente lembradas que esse era o nome da personagem que criei, inspirada na minha neta. Era o mesmo que chamar o Maurício de Souza de Mônica, ou o Ziraldo de Menino Maluquinho, mas algumas pessoas não compreendiam essa diferença entre criador e criatura.

Para substituir os dois sites, criei em 2010 o blog Lendo e Relendo Lenise Resende e o blog Lendo e Relendo Gabi. O primeiro agora se chama Lendo e Relendo Lenise M. Resende, porque mudei minha assinatura. Mas isso é outra história. E o segundo blog agora se chama Lendo e Relendo Infantil. Mesmo que a personagem continue existindo, foi necessário retirar seu nome do título do blog.

Apesar de ter divulgado o endereço dos blogs antes de desativar os grupos de mensagens, sinto que o pessoal ainda está meio perdido. Para quem estava no grupo de mensagens infantil, que recebia as atividades prontinhas por e-mail, será mais difícil adaptar-se às mudanças. Nem tudo poderá ser colocado no blog, e o que for colocado precisará ser copiado.

Tudo muda com muita rapidez na internet. Em onze anos, os meus sites passaram por muitas atualizações. Porém, em algumas coisas, os sites se parecem com as casas. Depois de passar por muitas atualizações (reformas), pode ser melhor colocar tudo abaixo, e começar do zero novamente. É o que estou fazendo.

Os sites atuais tem um modelo muito parecido com os novos blogs. E, antes desse atual modelo de blog fazer sucesso, outros modelos tiveram seus cinco minutos de fama. Claro que tinham outros nomes e menos recursos mas, dos que testei, alguns eram muito bons. Só que o fato de ser considerado bom, não faz um serviço oferecido na internet ter continuidade. Quando o usuário menos espera, recebe um aviso que aquele serviço vai acabar ou vai ser substituído.

A internet parece ter sido criada para nos dar uma lição sobre o desapego. E, como toda lição, só aprende quem quer, ou quem está atento. Não adianta reclamar quando um site desaparece, um serviço é desativado, uma atualização nos aborrece, ou quando os conhecidos migram para um novo site de relacionamentos que não nos interessa. Não adianta reclamar quando precisamos aprender a lidar com novas ferramentas para continuar fazendo as coisas que mais gostamos.

Construir barreiras não vai impedir que as mudanças aconteçam, seja na internet ou fora dela. Então, quando a brisa da insatisfação começar a soprar, é melhor começar a construir moinhos de vento. Assim, quando os ventos de mudança soprarem, teremos bastante energia para criar algo novo.

(Mantra de 2012)


Eu te adoro 2012

 (Mantra geral para promover sua comunhão com o Universo
ao longo do ano - Gilson Chveid Oen, numerólogo.)

(Melhores coisas da vida)

As melhores coisas da vida
- © Lenise M. Resende -

Quem diria que eu, que durante muitos anos fui a rainha da insônia, viesse um dia a ser uma dorminhoca. E, ainda por cima, que considerasse que dormir é uma das melhores coisas da vida. Pois é, o tempo passa, a gente muda, e eu mudei para melhor. Na verdade, foi preciso lutar muito para que essa mudança acontecesse. Só que uma dorminhoca com sintomas de gripe sente ainda mais sono. E isso complica tudo.

Estou numa ótima fase, cheia de ideias para novos textos, e cheia de gás para fazer revisões. Mas os sintomas da gripe – dor de garganta, olhos lacrimejantes e cabeça pesada – atrapalham bastante. Se tomar um antigripal o sono vai me derrubar. Qualquer antigripal me dá sono, mesmo os que dizem que não tem esse efeito. Então, passo boa parte do dia adiando essa ação. Quando não aguento mais me sentir mal, tomo o remédio, aproveito por algum tempo a sensação de alívio dos sintomas, e me rendo ao sono.

Já disse que considero que dormir é uma das melhores coisas da vida. Mas, ainda não disse, que acho que escrever também é uma das melhores coisas da vida. Quando consigo transformar uma ideia em um texto, a alegria que sinto é indescritível. Quanto maior for o número de ideias que povoam minha cabeça, maior será o tempo que vou passar escrevendo.

A briga entre o que o corpo pede e o que a vontade deseja tem sido grande. Ainda mais que a temperatura mais baixa da última semana, provocada por uma frente dia, é um incentivo ao descanso. Mas até que tenho resistido bem a tentação de aproveitar esses dias de frio dormindo debaixo de um edredom.

A solução para o impasse, foi ressuscitar o velho caderno de rascunhos que, há alguns anos, estava esquecido num armário. Colocado ao lado da cama, junto com um lápis, ele permite que eu guarde as ideias que receio perder se dormir. Em geral, quando já estou deitada e surge alguma ideia que merece ser anotada, prefiro levantar e ligar o computador. Só que ultimamente nem sempre é possível agir dessa maneira.

Até que foi bom reler os antigos rascunhos. Já tenho até um novo caderno, para onde vou transferir alguns esboços de poemas. Percebi que é mais fácil decidir entre várias versões de um poema quando estão lado a lado no papel. Mas os textos em prosa vou continuar escrevendo direto no computador. Quando coloco um texto muito longo no papel, fico sempre adiando sua conversão para o formato digital.

E, por falar em adiar, entre a frase anterior e essa aqui, um mês se passou. O que pensei que fosse uma gripe era alergia a poeira. Uma obra estava sendo feita na fachada do meu edifício e, mesmo com a janela fechada o dia inteiro, a poeira conseguia se fazer presente.

Adiar o final do texto me deu muito tempo para pensar, e tomei uma decisão: se um dia eu resolver fazer uma lista com as melhores coisas da vida, a saúde estará entre as primeiras. Sem ela muitas outras coisas perdem a graça, o gosto, ou deixam de existir.

(Seres semanais)

Seres semanais
- © Lenise M. Resende -

A palavra semana que nomeia o período que a Lua demora para completar um ciclo, nasceu da expressão latina septem mane (sete manhãs). Ela seria, então, um ser semanal? Talvez sim, talvez não. Cada fase da Lua demora uma semana para completar-se, no entanto, o seu aspecto muda todo dia.

Depois de tanto ouvir a pergunta: "Você está de Lua, hoje?", pergunto-me se tenho fases como a Lua (e Cecília Meireles). Pergunto-me se, como ela, serei um ser semanal. Mesmo que uma mudança demore a ser percebida, sinto-me mudada a cada manhã.

Na verdade, a Lua não muda. O que muda é a maneira como ela é vista da Terra. As chamadas fases são causadas pelas posições relativas da Terra, da Lua e do Sol.

Na verdade, também não mudo. O que muda é a maneira como vejo e sou vista. As chamadas fases são causadas por circunstâncias.

Creio que a maneira de ver as coisas tem a ver com o imprevisível. Se num dia em que estou bem de saúde, bem humorada e com mais tempo, der um tipo de resposta para uma solicitação, posso ser vista como boazinha e prestativa.

Só que não sou somente Lua cheia. Para se ter uma ideia de como sou realmente, é preciso observar as outras fases. Quem se der a esse trabalho, vai ver que tenho um interior sólido, mas que nem sempre está aparente.

A experiência é o acúmulo de observações. Ela pode nos dar a certeza de que uma determinada pessoa não é só boazinha, chatinha, ruinzinha... e, sim, um apanhado de tudo isso. A experiência nos dá paciência para esperar uma fase ruim passar.

Será que na verdade não mudamos? Seríamos todos Luas com fases causadas por circunstâncias? Seríamos seres semanais? Infelizmente tenho muitas perguntas e nenhuma resposta.

Nota - Crônica filosófica (reflexão a partir de um fato ou evento)


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TEXTO RELACIONADO
- poema Lunar

(O Dia da Criança)

O Dia da Criança
- © Lenise M. Resende -

Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), a data universal para a comemoração do Dia da Criança é 20 de novembro, quando se comemora a assinatura da Declaração dos Direitos da Criança. A Declaração não é uma lei, mas um texto de referência que reconhece a todas as crianças e jovens o direito à afeição, amor e compreensão; alimentação adequada; cuidados médicos; educação e proteção contra todas as formas de exploração.

Mas o Brasil e alguns outros países adotaram outros dias para comemorar o Dia da Criança. No Brasil, a criação dessa comemoração foi sugerida por um deputado federal na década de 1920. E aprovada, por decreto do então presidente Arthur Bernardes, em novembro de 1924.

No entanto, a comemoração do Dia da Criança começou realmente em 1960. Nesse ano, a fábrica de brinquedos Estrela e a Johnson & Johnson fizeram uma promoção para lançar a Semana do Bebê Robusto, e aumentar suas vendas. A ideia deu certo e outros comerciantes passaram a participar. Desde aí, no Brasil, 12 de outubro é dia de criança ganhar presente.

Atualmente, o comércio parece ter-se dividido em períodos de grandes vendas: Voltas às aulas (fevereiro), Páscoa (abril), Dia das Mães (maio), Dia dos Namorados (junho), Dia dos Pais (agosto), Dia da Criança (outubro), Natal (dezembro). Como novas datas comemorativas vem sendo criadas constantemente, nem todos os consumidores conseguem dar um longo descanso à carteira.

A criação do Dia da Criança foi um golpe de mestre. Dar descanso ao consumidor poderia deixá-lo desacostumado de comprar. Assim, antes mesmo do mês de setembro terminar, os jornais começam a ficar cheios de encartes para o Dia da Criança.

O mais interessante, é que as mais modernas técnicas de venda ensinam: que estão ultrapassadas as vitrines de artigos infantis feitas para seduzir adultos; que a criança decide sua própria compra e tem seu poder de decisão respeitado; que um adulto acompanhado de crianças em uma loja é uma venda quase certa.

Recentemente, li a entrevista de uma gerente de loja comemorando o grande aumento de vendas de artigos eletrônicos para o Dia da Criança. Faz sentido, porque é visível que a época das lembranças e presentinhos já acabou há muito tempo. Atentos às propagandas sobre as possibilidades de crédito (empréstimo pessoal, cheque pré-datado, cheque especial, crediário e cartão de crédito) os jovens acabam pensando que comprar é só prazer e alegria. Sendo assim, pedem presentes cada vez mais caros.

O que dizer, então, aos nossos filhos? Essa pergunta, feita pela editora da revista Claudia à professora de filosofia Dulce Critelli obteve a seguinte resposta: "... cabe aos mais velhos mostrar que o mundo não é só festa e shopping. Os adolescentes estão sendo bombardeados pela sedução do consumo - o que inclui comprar ideias dos outros ..."

Houve um tempo em que as principais comemorações eram o próprio aniversário e o Natal. Hoje, os presentes tornaram-se mais importantes que as comemorações. E, para estimular a compra de mais presentes, foram criados novos motivos para se presentear.

Não creio que a solução seja parar de presentear mas, sim, escolher presentes de acordo com as nossas posses. E, mais uma vez, lembro as palavras da professora Dulce Critelli: "A família pode ser um agente de transformação, já que são os valores transmitidos no dia-a-dia que darão suporte à nova geração. A micropolítica se reflete na macro: é o cidadão quem faz a cidade."

Nota - Crônica jornalística (apresenta aspectos particulares de notícias ou fatos)